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Se Santo Afonso Maria de Ligório estivesse aqui hoje, “ele estaria ocupado em falar-nos sobre uma coisa: aprofundar nossa relação com Deus”[1]. Ele não estaria preocupado em divulgar seu método de oração, não se interessaria em ‘vender’ seu modelo especial de rezar ou em insistir que esse modelo fosse aplicado a todo custo. Primero ele iria nos escutar com o intuito de compreender o modo como vivemos a nossa fé e de compreender as nossas dificuldades e incertezas para, depois, nos mostrar as formas de oração que seriam benéficas para nós. Tentaria entender os problemas que enfrentamos em nosso dia a dia, acharia as nossas feridas para oferecer os remédios que existem na riqueza espiritual das escrituras e da tradição.

Sua preocupação não era desenvolver um sistema original de oração para obter um lugar na história da espiritualidade. O que ele buscava era a salvação das pessoas. E, para realizar isso, ele vasculhava a tradição buscando, nas riquezas espirituais, o que era mais acessível ao povo para ajudá-los no seu encontro com Deus. “Seus livros sobre a oração refletem esse desejo de ajudar os outros a aprofundar sua relação com Deus nas circunstâncias concretas de suas vidas. Queria dar a seus leitores subsídios, isto é, introduzi-los na vasta série de formas de oração disponíveis para eles na sua caminhada espiritual, […] escreveu de tal modo que ajudava seus leitores a experimentar a intimidade e a proximidade com Deus em suas vidas”[2].

Precisamos beber do Espírito que motivava Afonso, que é sempre atual. É preciso encontrar, nos seus escritos, este sopro do dom de Deus para continuar a sua obra. Precisamos descobrir a doutrina de Afonso sobre a oração, pois ele era convencido de que a oração é essencial para aprofundar nossa relação com Deus e sabia que cada um recebe graça suficiente para rezar e que Cristo oferece a redenção para todos. Afonso acreditava profundamente no amor de Deus à humanidade. Durante a sua vida, queria apenas partilhar esse amor com os outros e ajudá-los a encontrar seu caminho para Deus[3].

Santo Afonso tinha uma afirmação muito conhecida: “Quem reza, certamente é salvo; quem não reza, certamente é condenado”. Isso mostra a ligação que ele fazia entre a vida virtuosa e a vida de oração. Todos temos as graças suficientes para rezar. Se acolhemos essas graças, nós rezamos e, consequentemente, somos salvos. Para Afonso, rezar é acolher todas as graças necessárias para a nossa conversão, para guardar os mandamentos e levar uma vida virtuosa. Ele acredita que a vida de oração deve levar a pessoa a viver o Evangelho e que o objetivo da vida orante é a união de vontades: a vontade da pessoa que reza com a vontade de Deus. Quem reza se torna, a cada dia, mais capacitado para cumprir a vontade do Senhor. É rezando que nos tornamos capazes de viver a conversão, é rezando que somos capacitados por Deus para viver a sua vontade[4].

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


[1] BILLY, Dennis, C.Ss.R. Copiosa Redenção: Introdução à Espiritualidade de Afonso. Goiânia: Scala, 2013. p. 22
[2] Ibdem. p.20-21
[3] Cf. Ibdem. p.23
[4] Cf. Ibdem. p. 25

2 thoughts on “O pensamento de Santo Afonso sobre a oração

  1. EDDA MARIA PEIXOTO BARRETO on at Responder

    “Afonso acreditava profundamente no amor de Deus à humanidade. Durante a sua vida, queria apenas partilhar esse amor com os outros e ajudá-los a encontrar seu caminho para Deus”.
    Exemplo de fé e de espírito missionário!
    Que ele nos seja inspiração para viver o amor de Deus e expressá-lo aos irmãos.
    Tantas vezes ouvimos: Deus é amor!
    Como estar ligado ao Pai se não for pelo amor?
    O mundo carece de amor. Mas algumas pessoas não sabem amar!
    Que o amor de Deus, que Santo Afonso tanto confiava, possa tornar latente o amor no coração de todos.
    Obrigada, Padre Fagner, pela reflexão.

  2. Nete on at Responder

    Obrigado padre Fagner de nos da a oportunidade de.conhecer a doutrina de Santo Afonso que nos ensina como ter um profundo encontro com Deus através de nossas orações.

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